“Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças”.

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Semana de 2 de outubro (referência: leituras do domingo 8 de outubro)

27º Domingo do Tempo Comum Leituras: Fl 4,6-9; Mt 21,33-43

 

Reflexão vicentina

Em muito poucas palavras, São Paulo nos dá, na Carta aos Filipenses desta semana, uma receita para a felicidade.  Ele diz: “não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. (…)  Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor” (vers. 6-8).

Claramente, ele nos indica que se buscarmos a virtude e apresentarmos nossas necessidades a Deus, não há porque se inquietar com qualquer coisa.

O Catecismo da Igreja Católica (#1803) apresenta a definição de virtude: “uma virtude é uma disposição habitual e firme ao bem. Permite à pessoa não somente realizar bons atos, mas também de dar o máximo de si, de sua capacidade e sua dedicação”.  Isto significa que virtude não é uma coisa, ou sentimento, mas uma expressão de nossa vontade.  É um exercício de busca contínua e dedicada pela realização do bem.  Para nós, católicos, a virtude é um dom de Deus para que sejamos perseverantes na santidade, realizando a vontade de Deus em nossa vida.

No livro “Liderança Mística – Um modelo baseado na experiência Vicentina”, o autor indica que ao longo de toda a história se buscou definir virtudes que pudessem expressar esta realização do bem.  Três momentos da história foram particularmente importantes.

Na Antiguidade, Platão (Grécia – 348 AC) definiu quatro virtudes fundamentais como as Virtudes do Homem; Cicero (Roma – 106 a 43 AC) as qualificava como “as quatro partes da Virtude”; e Santo Ambrósio (330-397 DC) as chamou de Virtudes Cardeais.  Estas quatro virtudes são: a temperança (ou moderação da atração pelos prazeres e pelos bens), a justiça (ou constância em dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido), a prudência (ou o discernimento) e a fortaleza (ou a segurança nas dificuldades).

No primeiro século da Cristandade, São Paulo define o que são as três Virtudes Teologais (isto é, que vêm de Deus e que fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão): a fé (a crença em Deus e em Sua revelação), a esperança (o desejo de nossa felicidade no Reino dos Céus e na Vida Eterna) e a caridade (ou o amor a Deus sobre todas as coisas, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor a Deus).

Muito mais tarde, no final do século XVI e início do século XVII, São Vicente de Paulo define o que chamamos de Virtudes Vicentinas, que são cinco e têm uma enorme importância para a definição de nosso carisma vicentino: a simplicidade (ou falar, buscar e praticar a verdade); a humildade (ou o reconhecimento de que tudo de bom que temos vem de Deus); a mortificação (ou o controle dos sentidos, das paixões e das emoções, não permitindo que eles prejudiquem a nossa racionalidade); a mansidão (ou a capacidade de ser firme, mas controlar e gerenciar a raiva); e o zelo (ou a vontade incansável de realizar a nossa missão, o plano de Deus para nós).

Poderíamos passar dias refletindo sobre cada uma das virtudes destes três grupos e de sua importância na vida vicentina.  Creio que é muito importante que o façamos, porque este conjunto de virtudes deveria ser uma espécie de guia para a nossa vida.  Elas podem nos orientar em nosso serviço aos Pobres, em nossa família, em nosso trabalho e em nossa vida cristã na SSVP.

Se buscarmos viver estas virtudes e buscarmos a Deus com sinceridade na oração, sentiremos o amor de Deus transformar-se em felicidade e realização plena.  Que lhe parece se buscarmos reforçar uma destas virtudes por dia?  Se fizermos isso e o oferecermos em oração a Deus, no final de doze dias, teremos percorrido um caminho de purificação e de conversão.

Fonte: CGI
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